Saúde

Coágulos sanguíneos raros são mais frequentes nos infetados do que nos vacinados

Pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 têm maior risco de desenvolver problemas vasculares graves do que as pessoas que tomaram a vacina contra a Covid-19, concluiu um estudo com dados de Inglaterra.

A vacinação contra a Covid-19 aumenta o risco de eventos tromboembólicos graves, mas o risco é maior e o período de risco mais longo depois de uma infeção com SARS-CoV-2, quando comparado com a frequência deste tipo de problemas antes da pandemia. O estudo foi publicado, esta sexta-feira, na revista científica BMJ.

A formação de coágulos sanguíneos, os baixos níveis de plaquetas e outros problemas vasculares são alguns dos efeitos secundários das vacinas contra a Covid-19. Este tipo de situações, ainda que extremamente raras, são mais frequente entre os vacinados do que seria de esperar numa população com aquelas características.

Uma equipa britânica verificou, no entanto, que estes problemas relacionados com o sangue e a circulação sanguínea eram ainda mais frequentes em pessoas que tinham sido infetadas com o SARS-CoV-2 (numa população com as mesmas características). Além disso, o período em que estes problemas podiam surgir pós-exposição também foi maior no caso das infeções do que no caso das pessoas vacinadas.

Os ensaios clínicos, desenhados para avaliar a segurança e a eficácia das vacinas e outros fármacos, não têm a capacidade de detetar os efeitos secundários mais raros. Isso acontece quando os produtos já estão em uso generalizado pela população, mediante uma vigilância continua dos efeitos adversos reportados pelas pessoas ou identificados pelos profissionais de saúde. Foi assim que se identificaram os problemas vasculares e cardíacos, extremamente raros, associados à toma de algumas vacinas contra a Covid-19.

Nesta avaliação de risco, a equipa coordenada pela Universidade de Oxford considerou todas as pessoas com mais de 16 anos que tivessem tomado uma dose das vacinas da Oxford/AstraZeneca ou Pfizer/BioNTech ente 1 de dezembro de 2020 e 24 de abril de 2021 (de acordo com os dados disponíveis). Entre os doentes com manifestações sanguíneas e vasculares graves após a vacina ou infeção, foram excluídos aqueles que já tinham tido uma situação do mesmo tipo nos últimos dois anos.

Os investigadores identificaram como limitação, relacionada com o período de estudo — o início da campanha de vacinação —, o facto de só terem considerado a toma de uma dose e de terem poucos dados de pessoas mais novas (que ainda não estavam a ser vacinadas em larga escala).

fonte VERA NOVAIS observador.pt

Fonte
observador.pt
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