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Avião ucraniano terá sido abatido por sistema antimíssil iraniano

Um vídeo divulgado na rede social Twitter revela o momento em que o Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines caiu em Teerão, oito minutos depois de ter descolado com destino a Kiev, na Ucrânia. Seguiam 180 pessoas a bordo.

O avião ucraniano que, na madrugada de quarta-feira, caiu em Teerão terá sido abatido, por erro, pelo sistema antimíssil iraniano, avança a revista “Newsweek”. O Irão já veio desmentir.

A bordo seguiam 176 pessoas, 82 de nacionalidade iraniana, 63 do Canadá, 11 ucranianos, dez suecos, sete afegãos e um alemão. O avião tinha levantado voo pouco antes de cair e não houve qualquer sobrevivente.

De acordo com fontes oficiais, em declarações à revista “Newsweek”, a aeronave, um Boeing 737-800, com destino a Kiev, terá sido atingida por um sistema antimíssil terra-ar Tor-M1, construído na Rússia, conhecido na NATO por Gautlet. Duas outras fontes, uma do Pentágono e outra do serviço de defesa, admitiram que o incidente terá sido acidental.

O sistema de defesa antimíssil estava ativo depois de, na noite anterior, o Irão ter lançado um ataque contra bases no Iraque onde estão militares dos Estados Unidos. O ataque surgiu como resposta à morte do general Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, na sequência de um bombardeamento, ordenado por Donald Trump, junto ao aeroporto internacional de Bagdade.

Kiev nunca afastou possível ataque com míssil

Logo na quarta-feira, principalmente através das redes sociais, surgiram imagens do que parecia ser fragmentos de um míssil Tor M-1 que teria sido encontrado nos subúrbios de Teerão.

Já esta quinta-feira, as autoridades ucranianas avançaram que estavam a investigar pelo menos sete possíveis causas do desastre do Boeing 737. “Estamos a avaliar de forma minuciosa todas as teses, que são sete”, indicou, em declarações à agência France-Presse (AFP), o secretário do Conselho ucraniano de Segurança e de Defesa Nacional, Sergei Danylov.

O primeiro-ministro do Canadá afirmou entretanto que tem provas de a ação “pode ter sido intencional”. Justin Trudeau afirmou o facto após as informações de que o desastre pode ter sido provocado pelo Irão.

Teerão rejeita ataque com míssil a avião

As autoridades do Irão já rejeitaram que o desastre aéreo tenha sido provocado por um sistema antimíssil iraniano.

“Vários voos domésticos e internacionais voam ao mesmo tempo no espaço aéreo iraniano à mesma altitude de 8.000 pés, e essa história de ataque com mísseis (…) não podia estar mais incorreta”, indicou o Ministério dos Transportes iraniano.

“Esses rumores não fazem qualquer sentido”, acrescenta a nota informativa.

Contudo, o presidente do Irão, Hassan Rohani, já terá prometido em conversa telefónica a Volodymyr Zelenskiy, presidente ucraniano, que o país fará uma investigação objetiva do desastre aéreo, que vitimou 176 pessoas.

A Ucrânia já emitiu um pedido de ajuda oficial à ONU para que os seus peritos possam também ajudar nas investigações.

Por enquanto, “nenhuma é prioritária”, precisou o representante. Entre as possíveis teses que estão a ser exploradas pelas autoridades da Ucrânia está um possível disparo de um míssil antiaéreo contra o Boeing 737, a explosão de uma bomba a bordo do aparelho, a colisão do avião de passageiros com um drone (aparelho aéreo não-tripulado) ou a deflagração de um incêndio no motor “por razões técnicas”.

Quem eram as vítimas?

Pelo menos três britânicos foram identificados entre as 176 vítimas mortais da queda de um avião Boeing 737-800 de uma companhia aérea ucraniana, esta quarta-feira. Saeed Tahmasebi, Sam Zokaei e Mohammad Reza regressavam ao Reino Unido depois um período de férias no Irão.

Um outro engenheiro da BP, companhia de gás e gasolineira que opera também em Portugal, Sam Zokaei, de 42 anos, é tido como uma das vítimas mortais da queda do Boeing 737, no Irão. A BP, onde trabalhava há pelo menos quatro anos, confirmou a morte do funcionário em comunicado.

O último britânico identificado é Mohammad Reza Kadkhoda-Zadeh, de 40 anos, e pai de uma menina de nove anos. Mohammad arrendava quartos em Brighton e era chefe de uma empresa de limpeza. Embarcou no voo da companhia Ukraine International Airlines para voltar ao Reino Unido depois de uma visita à família no Irão.

FONTE JN.PT

FOTO JN.PT

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JN.PT
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