Saúde

Centros de saúde vão receitar ginástica

Consultas multidisciplinares vão contar com fisiologistas do exercício das autarquias. Projetos-piloto devem ter início antes de setembro.

Alguns centros de saúde vão passar a ter consultas multidisciplinares com o objetivo de prescrever atividade física adequada a cada utente. As equipas vão ser coordenadas por um médico de família e, além de nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas e assistentes sociais, vão contar com um fisiologista do exercício que vai ser responsável pelo plano a seguir por cada pessoa.

O projeto, que faz parte do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física (PNPAF), da Direção-Geral da Saúde, está a ser dado a conhecer às administrações regionais de saúde e vai arrancar, numa primeira fase, com projetos-piloto nas unidades de saúde que se queiram candidatar.

Romeu Mendes, diretor-adjunto do PNPAF, explicou ao JN que as consultas deverão ter início ainda antes de setembro e vão ser focadas, no início, em utentes com “doenças crónicas não transmissíveis”, em especial com “diabetes tipo II e depressão”. Posteriormente, serão abertas a toda a população.

Para este projeto funcionar, será preciso estabelecer protocolos com as autarquias para que estas cedam fisiologistas do exercício, uma vez que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não dispõe destes profissionais. “Se queremos trabalhar a atividade física como um tratamento não farmacológico, como a nutrição, temos de ter profissionais que tenham estudado a parte técnico-científica da atividade física”, prosseguiu Romeu Mendes, acrescentando que um dos objetivos das consultas é também provar a relação custo-efetividade de passar a integrar estes profissionais no SNS.

Nas consultas, os doentes poderão ser encaminhados para programas adequados ao seu caso que já existam na comunidade, ou então o fisiologista irá criar um programa individualizado “adaptado às características de cada pessoa”. As consultas de acompanhamento serão agendadas de acordo com o grau de risco para cada caso.

O projeto é apresentado hoje numa sessão sobre o Plano Nacional para a Atividade Física que junta quatro ministérios e seis secretarias de estado e pretende criar um compromisso nacional para a atividade física.

Pedro Teixeira, diretor do PNPAF, destacou a necessidade de existir articulação entre as unidades de saúde e os serviços prestadores de exercício e de atividade física. Para que “quando um médico quer encaminhar um utente para fazer um programa de atividade saiba qual é o profissional em quem pode confiar e onde é que existem programas e instalações”.

Fonte da Notícia
Jornal de Notícias
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