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O descrente na Ciência que Trump pôs à frente da NASA

Ao fim de 15 meses de espera, Donald Trump nomeou finalmente um novo administrador para a Agência Espacial Americana. As suas credenciais para o cargo, que ocupa agora há dois meses, é que levantam muitas dúvidas. Jim Bridenstine e a sua tarefa em quatro pontos

Negacionista

Republicano e congressista pelo Oklahoma, Jim Bridenstine, 42 anos, é o rosto do conservadorismo americano, na sua pior vertente. Antigo piloto da marinha americana, estudou Economia, Psicologia e Gestão, mas nada de Ciência, o que tem sido apontado como um problema. Outra questão que levantou muitas dúvidas deve-se às declarações do congressista, no passado, mostrando duvidar da relação de causa-efeito entre a atividade humana e as alterações climáticas. Desde estas declarações polémicas, feitas em 2013, Bridenstine já veio corrigir a sua posição e admitiu que “não nega o consenso” em torno das alterações climáticas. “Acredito plenamente nas alterações climáticas e que nós, humanos, estamos a contribuir para isso de forma determinante.” Ao jornal Washington Post, o administrador da NASA explicou que a mudança de opinião se deveu ao facto de ter “ouvido vários peritos”. Também “leu muito” e acabou por chegar à conclusão de que “o dióxido de carbono é um gás que provoca efeito de estufa, que libertamos grandes quantidades para a atmosfera e que por isso contribuímos para o aquecimento global que tem sido registado.”

Mesmo assim, continua a defender que o Homem contribuirá, mas não será o principal responsável pelas alterações climáticas. O que acontecerá às missões científicas da NASA que têm como objetivo estudar o fenómeno do aquecimento global?
Recorde

Em 60 anos de história, a NASA nunca tinha estado tanto tempo sem chefe. Após a tomada de posse de Trump, o antigo administrador da agência, Charles Bolden, saiu de cena. Começou 
a longa caminhada que culminou numa muito pouco convincente votação no Senado, na semana passada, que aprovou 
o nome de Jim Bridenstine, com 50 contra 49 votos. Esta indecisão não é caso raro na administração americana. Há centenas de cargos públicos que se mantêm vagos, quer por os eleitos não aceitarem a nomeação quer por os escolhidos não reunirem os votos necessários. A Embaixada da Coreia do Sul é apenas um entre muitos dos exemplos.
Marte e o Sol

Os tempos são, ao mesmo tempo, excitantes mas também de grandes dificuldades financeiras no setor do Espaço. 
A agência espacial, que dispõe de um orçamento de quase 20 mil milhões de euros e emprega 18 mil pessoas, tem planeadas missões de pesquisa de exoplanetas, uma viagem a Marte, outra ao Sol. Mas projetos como 
o novo telescópio espacial, James Webb, ou os voos de teste da missão SpaceX têm sido alvo de sucessivos adiamentos, com derrapagens nos custos orçamentados 
e dificuldades no pagamento aos fornecedores.
As dores da governação

Bridenstine não deverá ter a vida muito facilitada, na tarefa de administrar 
a maior e mais reconhecida agência espacial do mundo. “O facto de ter demorado tanto tempo [sete meses, desde que Trump avançou com o seu nome] a ser aprovado, e de forma tão pouco consensual, irá trazer-lhe mais desafios do que aos seus antecessores”, antecipou ao site de notícias do Espaço, Space, o professor de Ciência Política da Universidade George Washington, John Logsdon. Com que autoridade decidirá sobre missões complexas e arriscadas como são as viagens espaciais?, questionaram 
os democratas.

FONTE Sara Sá VIASO.SAPO.PT
PHOTO Getty Images

Fonte da Notícia
visao.sapo.pt
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