Tecnologia

Em direto da Web Summit: “Pode Lisboa ser a próxima Silicon Valley?”

Já arrancou o segundo dia de Web Summit, o evento mundial de empreendedorismo e tecnologia que traz ao Parque das Nações mais de 70 mil pessoas. Privacidade, 5G, Brexit e solidariedade no mundo do desporto são alguns dos temas em destaque

Calibra. “Porque não podemos enviar dinheiro com a facilidade que enviamos mensagens?”

Perto das 11h, Kevin Weil esteve no palco principal para deixar mais umas pistas sobre a cripto-moeda Libra e a carteira digital Calibra, ambas saídas dos gabinetes pensantes do Facebook. Depois de contar como surgiu a ideia, Weil começou por fazer uma analogia entre a Libra e a Internet. Antes, há umas décadas, era possível enviar mensagens mas pagando; as chamadas idem. A Internet chegou e tudo mudou: apareceu o Skype, depois a ‘instant message’, podem enviar-se vídeos enormes para o outro lado do mundo. Enfim, tudo mais rápido e praticamente gratuito.

E uma pergunta invadiu as mentes de Weil e companhia: “Podemos fazer pelo dinheiro o que a Internet fez pela informação?”. Havia barreiras, pouca competição e não era fácil inovar, explica. Mas porquê agora? “O melhor momento para plantar uma árvore é há dez anos… o segundo melhor momento é agora.” E acrescenta: “Ninguém criou uma cripto-moeda para o mundo inteiro. Temos 21 organizações comprometidas com isso”.

No fundo, a Libra e a Calibra querem tornar tudo mais fácil e gratuito. E rápido. E querem que este tipo de serviço chegue às 1,7 mil milhões de pessoas do mundo que não têm acesso a uma conta bancária e que guardam as poupanças numa qualquer esconderijo em casa. Se o conseguirem fazer, “será um mundo melhor”, garante.

A Libra terá ONGs e entidades associadas, assim como será desenvolvida juntamente com reguladores e bancos centrais. E visa, sobretudo, as remessas dos emigrantes: é que 7% desse valor, diz, ficam retidos e não chegam às famílias. “Porque não podemos enviar dinheiro com a facilidade que enviamos mensagens?”

A Calibra, resume, quer aumentar o acesso à economia global, baixando os custos dos serviços financeiros. “Não será uma viagem curta nem rápida, precisamos de parceiros. Será um trabalho de décadas”, diz. A desconfiança no Facebook, pela história da Cambridge Analytica e da venda de dados, também subiu ao palco. Weil desvalorizou: “Os dados financeiros não serão misturados com os dados sociais, mas há pessoas nesta plateia que não vão acreditar em mim e está tudo bem…”, desabafa, explicando ainda que os utilizadores da Libra poderão criar a sua própria carteira digital. E remata: “Não se vai espalhar como uma rede social. Demorará anos.” O lançamento deste serviço está previsto para 2020.

há 14 minutos

“Pode ser Lisboa a próxima Silicon Valley?”

A historiadora norte-americana Margaret O’Mare, autora do livro “O Código: Silicon Valley e a Reconstrução da América”, defende que é fundamental compreender a história da região mais inovadora dos EUA, de forma a poder replicar o modelo com mudanças noutras áreas do globo.

“Perguntam-me muitas vezes: o que vai acontecer a seguir? Será que não surgirá outra região semelhante? A Silicon Valley consiste num ecossistema de inovação, mas os dias de glória não duram para sempre. Precisamos de perguntar a nós mesmos qual vai ser a próxima geração de empreendedores”, afirma Margaret O’Mare, docente de História da Universidade de Washington num painel sob o tema: “Os segredos do negócio de Sillicon Valley.

Segundo a historiadora é ainda cedo para antecipar qual será a próxima região mais inovadora do mundo, mas será preciso recuar ao passado para compreender padrões e aprender lições com os casos de sucesso e também os falhanços.

“Pode ser Lisboa a próxima Silicon Valley? Ainda não sabemos. Mas é fundamental perceber como podemos usar a tecnologia juntos”, acrescenta Margaret O’Mare.

Sublinhando que foi após a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria que os EUA passaram a investir de forma sustentada em tecnologia, a docente da Universidade de Washington destaca o papel vital dos jovens empreendedores que começaram a apostar nesta área, nomeadamente alguns imigrantes.

“Quando a União Soviética enviou o Sputnik, os EUA entraram em pânico e apostaram no espaço. Foi o grande investimento do governo norte-americano que permitiu criar esta infraestrutura. Mas sem o espírito empreendedor de tantos jovens não teríamos hoje a Silicon Valley”, realça Margaret O’Mara.

Como se constrói uma empresa como a Apple que transcende fronteiras e consegue adicionar valor acrescentado aos produtos? Na visão da historiadora só com mentes como as de Steve Jobs que foi capaz de explicar a uma “vasta audiência” a tecnologia de uma forma simples. “Oscomputadores tornaram-se uma bicicleta para a mente e o mundo tornou-se hoje navegável.”

Por último, Margaret O’Mara sustenta que é vital também apostar na diversidade destas empresas, dando mais espaço a imigrantes e mulheres numa altura em que se debate questões como a privacidade e a regulação………………………………………..

FONTE EXPRESSO.PT

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EXPRESSO.PT
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