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Crise em Itália. Presidente deverá chamar ex-diretor do FMI para chefiar Governo provisório

Sergio Mattarella chumbou a escolha do ministro da Economia para o Governo de coligação entre a Liga e o 5 Estrelas, que pedem eleições antecipadas e a destituição do chefe de Estado, respetivamente. O Presidente chamou Carlo Cottarelli, antigo responsável do Fundo Monetário Internacional, para uma reunião esta segunda-feira, o que indicia que irá pedir-lhe para liderar um Governo provisório. O cenário de novas eleições ganha força

Carlo Cottarelli, antigo responsável do FMI, pode ser o senhor que se segue na chefia do Governo (provisório) italiano Pier Marco Tacca/Getty Images

O Presidente de Itália, Sergio Mattarella, deverá pedir esta segunda-feira ao ex-diretor de assuntos fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Carlo Cottarelli, que chefie um Governo provisório. O antigo funcionário do FMI foi chamado por Mattarella depois de a Liga e o Movimento 5 Estrelas terem desistido de formar um Executivo de coligação na sequência do veto do chefe de Estado à escolha do ministro da Economia.

Mattarella justificou o chumbo do eurocético Paolo Savona, dizendo: “A incerteza sobre a nossa posição tem alarmado investidores tanto em Itália como no exterior. A pertença ao euro é uma escolha fundamental. Se queremos discutir isso, devemos fazê-lo de uma forma séria”. Os dois partidos anti-sistema, que passaram semanas a elaborar um pacto de coligação para acabar com o impasse saído das eleições de 4 de março, acusaram o Presidente de abusar das suas funções.

O líder do 5 Estrelas, Luigi Di Maio, pediu ao Parlamento que destitua o chefe de Estado, enquanto Matteo Salvini, da Liga (de extrema-direita), ameaçou com protestos em massa se não forem convocadas eleições antecipadas. “Se não houver o OK de Berlim, Paris ou Bruxelas, um Governo em Itália não pode ser formado. É uma loucura. E peço ao povo italiano que se mantenha perto de nós porque eu quero trazer a democracia de volta a este país”, disse Salvini.
Novas eleições?

Mattarella, que aprovou todas as outras escolhas ministeriais, lembrou que tinha o direito de bloquear nomeações que pudessem prejudicar o país, acrescentando que os dois partidos se recusaram a apresentar outro nome para a pasta da Economia.

Carlo Cottarelli não deve, no entanto, conseguir o apoio parlamentar, pelo que ganhará força o cenário de novas eleições, a realizar em setembro ou outubro.

As sondagens sugerem que a Liga, que conseguiu 17% dos votos em março, aumentaria a sua base de apoio, enquanto o 5 Estrelas continuaria forte com cerca de 35%. Os partidos do centro, à esquerda e à direita, perderiam ainda mais terreno.

FONTE Hélder Gomes EXPRESSO.PT

Fonte da Notícia
EXPRESSO.SAPO.PT
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