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Marta Temido: “Não vamos poder ter um Natal igual ao dos anos anteriores”

Não avançando informações sobre as restrições a aplicar na altura do Natal, a ministra da Saúde repetiu a ideia já manifestada por António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa de que, este ano, a época natalícia não poderá ser vivida da mesma forma. E remete a apresentação do plano de vacinação contra a covid-19 para breve.

No fim de várias visitas feitas ao longo desta quarta-feira em algumas das zonas da região Norte mais afetadas pela pandemia, onde acompanhou o esforço hospitalar da resposta às atividades covid e não covid, a ministra da Saúde assegurou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua com capacidade de “responder empenhadamente às necessidades assistenciais”. Recordando que o Norte “mantém ainda uma incidência que se situa perto dos 1300 novos casos por 100 mil habitantes em 14 dias”, a chefe da pasta da Saúde considerou as transferências de doentes entre hospitais públicos, privados e de cariz social “um aspeto muito positivo”, uma vez que espelha a “capacidade de utilizar o melhor do SNS”.

“Mantemos a confiança em todos os profissionais de saúde que têm feito um esforço muito significativo por continuar a responder, sacrificando a vida pessoal, familiar e os seus momentos de descanso”, agradeceu Temido, deixando também uma palavra aos portugueses, particularmente àqueles que habitam nas duas áreas hoje visitadas. Para as próximas semanas, os objetivos passam por manter a capacidade de resposta do SNS, “reinventando-o” e “reorganizando-o”, celebrando “a ajuda que os portugueses dão, muitas vezes com sacrifício económico ou pessoal”.

Ainda não adiantando cenários restritivos para a altura do Natal, Marta Temido foi perentória em dizer que “não vamos poder ter um Natal igual ao dos anos anteriores, por muito que a situação epidemiológica melhore”, lembrando que esse melhoramento depende “do esforço de todos os que todos os dias saem para trabalhar, para levar os filhos à escola, para irem ter com as famílias”.

“Vale a pena recordar que vamos ter uma nova fase de estado de emergência, que nos precisamos de concentrar em quebrar cadeias de transmissão e em conter a doença. Alguns países que iniciaram o crescimento desta segunda vaga mais cedo e que adotaram medidas de contenção mais agressivas e mais cedo estão neste momento a antecipar um pouco melhor o final do mês de dezembro”, disse Marta Temido, notando que, neste momento, o país está “a lutar para chegar o melhor possível aos primeiros dias de dezembro”.

Plano de vacinação contra a covid-19 nos próximos dias

Questionada sobre a distribuição das futuras vacinas contra a covid-19 em Portugal, a ministra da Saúde afirmou que “todos os produtores vão disponibilizar as entregas das vacinas nos próprios países” e que, por isso, “a questão do transporte para Portugal não se colocará”, colocando-se, sim, “a questão de armazenamento, provavelmente num ponto único do país”.

“Temos estado a trabalhar nesse tema e temos soluções e planos para esse armazenamento. Mas a distribuição pelos vários pontos do país, essas questões logísticas estão a ser trabalhadas”, indicou Temido, avançando que o documento sobre os planos de distribuição e vacinação serão conhecidos “nos próximos dias”, tendo a Comissão Técnica de Vacinação agendada “para hoje ou para amanhã” uma reunião sobre este tema. A ministra disse ainda que, à semelhança dos planos de vacinação de outros países, Portugal tem a “a mesma lógica de definição” de população-alvo: “Estamos a falar de populações em função de grupo etário, exposição a fatores profissionais de maiores risco e da sua imprescindibilidade”.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), o risco de transmissão em Portugal é atualmente de 1,07, o que significa que cada infetado pode contagiar 1,07 outras. Qualquer valor acima de 1 significa um crescimento exponencial de infetados, daí ser importante fazer com que o número se vá aproximando de 1 e depois baixe “de forma sustentada, durante vários dias”, notou a ministra da Saúde.

Fonte
JN.PT
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