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Portugal com novo máximo diário. Quase quatro mil casos de covid-19 nas últimas 24 horas

O boletim epidemiológico da Direção-geral da Saúde dá conta de mais 3960 casos de covid-19 e 24 mortes. Mais de metade dos novos diagnósticos da doença registam-se na região Norte. Há 1794 pessoas hospitalizadas (mais 47 face ao dia anterior), das quais 262 em Unidades de Cuidados Intensivos.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais 24 pessoas e foram confirmados mais 3960 casos de covid-19 (uma taxa de crescimento de 3,18%), segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (28 de outubro).

No total, desde que a pandemia começou, registaram-se 128 392 infetados, 74 001 recuperados (mais 1657) e​ 2395 vítimas mortais no país.

Há agora 51 996 casos ativos da doença (mais 2279 face ao dia anterior).

O boletim da DGS indica que o número de internamentos continua a aumentar. São agora 1794 os doentes hospitalizados (mais 47 do que na véspera), dos quais 262 estão em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), ou seja mais nove do que no dia anterior.

Os dados de hoje mostram que não foi ultrapassado o número máximo de internamentos em UCI registado na primeira vaga, que foram 271, como previu a ministra da Saúde, Marta Temido, na segunda-feira.

Dos 24 óbitos reportados nas últimas 24 horas, 11 ocorreram na região Norte, oito em Lisboa e Vale do Tejo, quatro no Centro e um no Alentejo.

Em relação às vítimas mortais, 15 tinham mais de 80 anos, três estavam na faixa etária entre os 70 e 79 anos, cinco tinham entre 60 e os 69 anos e uma tinha entre 50 e 59 anos.

Taxa de letalidade global por covid-19 é de 1,9% e acima dos 70 anos situa-se nos 10,8%.

Norte continua a ser a região com mais casos

A região Norte é aquela que regista o maior número de novos diagnósticos de covid-19 no país, com 2114 casos reportados num dia – o que corresponde a 53,4%, ou seja, mais de metade do total nacional de infeções.

Em Lisboa e Vale do Tejo foram notificados mais 1105 novos casos de infeção, na região Centro registaram-se 558, no Alentejo 110 e no Algarve 53. Há mais 15 casos confirmados na Madeira e cinco nos Açores.

Os casos identificados distribuem-se por todas as faixas etárias, situando-se entre os 20 e os 59 anos o registo de maior número de infeções.

No total, o novo coronavírus já infetou no país 58 374 homens e 70 018 mulheres, de acordo com os dados do boletim da DGS..

Do total de vítimas mortais, 1224 eram homens e 1171 mulheres.

As autoridades de saúde têm agora sob vigilância 62 457 pessoas (mais 2394).

Costa convoca partidos e Conselho de Ministros extraordinário para “ações imediatas”

O primeiro-ministro marcou com os partidos reuniões para sexta-feira e convocou para sábado um Conselho de Ministros extraordinário para definir novas “ações imediatas” para o controlo da pandemia da covid-19 em Portugal.

Fonte do Governo disse esta quarta-feira à agência Lusa que, perante a evolução da pandemia em Portugal nas últimas semanas, a ministra da Saúde, Marta Temido, e a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, estão já a ouvir um conjunto de epidemiologistas.

Além das reuniões com os partidos com representação parlamentar e do Conselho de Ministros extraordinário, o ministro Estado da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, está a ouvir parceiros sociais.

Ainda no âmbito do combate à covid-19, o primeiro-ministro participará num Conselho Europeu extraordinário, por videoconferência, na quinta-feira, ao fim do dia, para procurar resposta coordenada a nível europeu.

No passado dia 14, Portugal elevou o nível de alerta face à pandemia de covid-19, passando da situação de contingência para situação de calamidade em todo o território nacional.

A decisão foi então anunciada pelo primeiro-ministro, António Costa, no final de uma reunião do Conselho de Ministros, justificando a elevação de nível de alerta face à “grave” evolução dada epidemia em Portugal.

Especialistas temem 7 mil casos diários na região Norte na próxima semana

A região Norte poderá atingir 7.000 novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2 na próxima semana, alertaram esta quarta-feira especialistas, afirmando existirem “vários concelhos” num “patamar semelhante” aos três do Tâmega e Sousa onde foram impostas medidas mais restritas.

Em declarações à agência Lusa, Milton Severo, responsável pelas projeções do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), afirmou que, a manterem-se as previsões, a região Norte pode “chegar aos 7.000 novos casos” de infeção por SARS-CoV-2 e atingir um índice de transmissibilidade (o designado RT) de 1,6.

“Quando olhamos para o RT efetivo, continuamos mais ou menos como estávamos na semana passada, com um RT efetivo de 1,4 (a variar entre 1,2 e 1,6), o que quer dizer um crescimento a cada cinco dias de 40%, o que é bastante elevado, sendo que as regiões Norte e Centro são as que têm valores mais elevados”, esclareceu o investigador.

Óscar Felgueiras, matemático especializado em epidemiologia da Universidade do Porto, afirmou que na região Norte existem “vários concelhos” que estão “num patamar semelhante” aos concelhos de Felgueiras, Paços de Ferreira e Lousada, onde foram implementadas medidas mais restritivas para conter a pandemia.

“Há vários concelhos que estão com incidências muito elevadas e seria perfeitamente natural que houvesse extensão de medidas tendo em conta a evolução da situação”, salientou o matemático, dando como exemplo os concelhos de Vizela, de Penafiel, de Paredes e do Porto.

De acordo com o investigador do ISPUP Milton Severo, ainda que os modelos matemáticos sejam “como as previsões meteorológicas”, uma vez que dependem da “variabilidade do que vai acontecer”, os mesmos apontam para cerca 8.000 casos diários de novas infeções em Portugal na primeira semana de novembro, dos quais 7.000 a Norte, com os internamentos no país a poderem variar entre os 2.500 e 3.000 e o número de doentes nas unidades de cuidados intensivos a ascender aos cerca de 300.

Ainda assim, Milton Severo salientou que o índice de transmissibilidade “na primeira vaga da doença foi bastante mais elevado” (tendo atingido os 2,5) e que tal reflete que as medidas implementadas “tiveram uma redução efetiva do RT”.

A manter-se esta trajetória, Óscar Felgueiras traça um cenário de, em média, 3.500 novos casos diários durante esta semana para a região Norte e não descarta a hipótese de “existirem dias com mais de 4.000” novas infeções pelo novo coronavírus, que provoca a covid-19.

“Gostaria muito que a previsão desta semana falhasse porque era sinal que, de facto, alguma coisa estaria a mudar, mas ainda não vejo isso refletido nos modelos”, afirmou o matemático.

Questionado sobre se eram percetíveis alterações nos modelos no decorrer das medidas implementadas pelo Governo para mitigar a evolução da pandemia, Óscar Felgueiras afirmou que, apesar “de uma pequena melhoria”, tal “não é suficiente para sair do intervalo das previsões estatísticas”.

FONTE  David Pereira (* com Lusa) DN.PT

FOTO © ESTELA SILVA/LUSA

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